Parque das Nações: o que dizem os números sobre este mercado em 2025/2026
Há zonas de Lisboa onde os preços sobem, estabilizam e às vezes até recuam. E depois há o Parque das Nações, onde os dados de 2025 contam uma história diferente.
+17,4% de valorização num único ano. Segunda freguesia mais cara de Lisboa. Volume de vendas a crescer mais de 40% face a 2024. São números que merecem atenção — especialmente para quem quer investir ou simplesmente perceber o que está a acontecer neste mercado.
O preço atual: onde estamos?
O metro quadrado no Parque das Nações situa-se entre os 6.000 e os 7.500 euros, segundo dados de mercado de 2025. Para efeitos de comparação: a média de Lisboa ultrapassou pela primeira vez os 5.000 €/m² em 2025, fixando-se nos 5.207 €/m² de acordo com a Confidencial Imobiliário.
Ou seja, comprar no Parque das Nações custa, em média, entre 15% e 45% acima da média da cidade. A única freguesia que fica à frente em preço é Santo António, com 6.646 €/m².
Não é barato. Nunca foi. Mas a pergunta certa não é “é caro?” — é “justifica o preço?”.
Por que é que os preços continuam a subir?

A valorização de +17,4% no Parque das Nações não aconteceu num vácuo. Lisboa como um todo registou em 2025 a maior subida de preços desde 2017 (+18,2%), depois de anos de abrandamento. Mas nem todas as zonas subiram da mesma forma — e o Parque das Nações esteve entre as que mais cresceram em atividade de vendas.
O que explica esse desempenho?
Oferta limitada. O bairro tem uma dimensão física definida. Não há muito mais para construir. O que existe é renovado, moderno e está integrado numa zona com infraestruturas consolidadas.
Procura internacional sólida. Expatriados, famílias de perfil internacional, investidores estrangeiros. A proximidade ao aeroporto (10 minutos), à Gare do Oriente e a escolas internacionais como a Cesário Verde International School torna o bairro difícil de ignorar para quem chega de fora.
Qualidade de vida objetiva. Passeio ribeirinho, marina, transportes, comércio, Altice Arena. Não é marketing — é infraestrutura que já existe e funciona.
O mercado de arrendamento: o que esperar
Para quem investe para arrendar, os números são os seguintes:
- T1: preço médio a rondar os 1.717 €/mês
- T2: média aproximada de 2.650 €/mês
- T3 e segmento premium (vista rio): entre 3.000 e 7.500 €/mês
Há um T3 duplex penthouse com terraço e jacuzzi no Parque das Nações Sul a arrendar por 7.500 €/mês com contrato até março de 2028. Não é representativo da média — mas mostra o teto do mercado e que há procura para esse perfil de imóvel.
A pressão sobre os preços de arrendamento mantém-se, com oferta limitada e procura estável. Não é uma situação nova, mas tão cedo não se vislumbra inversão.
O que pode mudar a partir daqui
O volume de licenciamentos em Lisboa subiu 62% em 2025 face ao ano anterior, com pedidos para cerca de 4.250 novas habitações. Parte desse pipeline pode pressionar os preços noutras zonas — especialmente onde há mais espaço para construir, como Marvila ou Beato.
No Parque das Nações, a margem de crescimento urbano é mais restrita. Isso é simultaneamente uma limitação (menos nova oferta) e uma proteção para quem já tem imóveis na zona.
O risco de sobrevalorização existe em qualquer mercado que sobe desta forma. Mas até agora os indicadores de procura sustentam os preços: as transações cresceram mais de 40% e não há sinais de imóveis a ficar parados muito tempo em carteira.
Para concluir
O Parque das Nações não é a opção mais acessível. Nunca foi. Mas o mercado tem mostrado, ano após ano, que a procura por esta zona não vai a lado nenhum.
Para investidores com horizonte de médio prazo e foco em capital appreciation ou em rendimento estável de arrendamento, os dados apontam para uma zona com fundamentais sólidos. Para quem procura o preço mais baixo de Lisboa, há claramente outras opções.
Se quiser perceber como este contexto se aplica à sua situação concreta — seja para comprar, arrendar ou investir — estou disponível para uma conversa sem compromisso.
Fontes: Confidencial Imobiliário (2025/2026), INE — dados até junho de 2025, Idealista, Supercasa, Imovirtual, Construir.pt, Diário Imobiliário.





